sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Crise de Choro... De Mãe

Olá meu nome é Mariana tenho 31 anos, 2 filho e eu sou... Mãe Real.

E há alguns dias esqueci o passeio do meu filho!!

Tudo bem que eu sou a pessoa mais esquecida e atrapalhada do Universo, mas esquecer o passeio do Meu filho? É inaceitável até pra mim ou melhor principalmente pra mim!!

"Foi aquela história soma memória péssima com mudança na rotina e pronto a catastrofe está feita!
Depois de anos participei de um Congresso em outro Estado e fiquei fora 4 dias (fator 1).Cheguei na noite anterior a saida pedagógica, morrendo de saudades dos pimpolhos (fator 2) e não medei ao luxo de verificar os emails, pensando que é tudo propaganda (o lenbrete estava lá- fator 3).
No dia seguinte acordo cedo como de costume, mas continuo despreocupada eu simplesmente apaguei o bendito passeio da minha mente!!

Quando o telefone toca é a professora do outro lado da linha me questionando se ele não irá ao passeio. Entro em colapso!! Ao mesmo tempo que grito ao telefone aos prantos que "ele vai sim!" Vou me trocando e trocando ele que ainda está dormindo.

No carro vou conversando, na medida que o pranto me permite, que eu esqueci do passei, que estamos tentando chegar na escola e encontrar o ônibus, porém pode não dar certo. Meu filho, muito diferente de mim, está tranquilo e observando o caminho em silêncio.

Como o transito as 7:40 da manhã é péssimo, em cada rua que entro e não ando choro aos soluços. Já perto da escola ele fala "Como é difícil ficar ouvindo choro essa hora da manhã!" com a mesma entonação que uso quando ele ou a irmã estão chorando, aparentemente, sem motivo.

Paro de chorar na hora! Essa frase causa o mesmo efeito em mim, embora eu tenha 30 anos e não 3.

Na escola a Coordenadora me passa o endereço do lugar, pois o ônibus havia saído à 15 minutos e provavelmente chegaríamos juntos. Saiu, ensandecida, sem celular e com o endereço no GPS meia boca que não faz atualização, mas a esperança voltou a reinar em mim "Errei e vou arcar com as consequências. Vou levá-lo até lá se for preciso! Não vou deixá-lo perder o passeio por Minha causa!"

Ele continuou tranquilo em seu lugar e lá fomos nós atras do ônibus! Todo ônibus executivo que passava ele perguntava "Mamãe é nesse ônibus que meus amigos estão?" e eu,que já tinha parado de chorar, respondia com a voz embargada "Não o ônibus que seus amigos estão está muito na frente."

Meu GPS não faz atualização, então me perdi feio nas saídas novas da Marginal. Minha crise de choro recomeçou. Contei que estávamos perdidos e perguntei se ele queria continuar tentando, mesmo sem ter a certeza que entraria, ou se queria ir para casa. Ele preferiu tentar e assim fizemos.

No fim tínhamos o endereço errado e ele acabou sem passeio. Quando damos por encerrada nossa busca e começamos a voltar para a casa choro e peço mais uma vez desculpa e ele me olha com sua carinha mais sapeca e diz "Quer dizer que você não vai brigar comigo hoje?". Parei de chorar e ri alto. Como assim?

Ao chegar em casa ele foi tirar o uniforme, feliz e contente como se nada tivesse acontecido, eu sentei na cama e chorei, chorei mesmo, me sentindo a prior Mãe do Mudo. Então ele vem de mansinho, passa a mão nos meu cabelos e me fala "Calma mamãe, já acabou. Estamos em casa." e eu incapaz de dizer uma palavra o abraço.

Por fim passamos a tarde junto, eu me sentindo muito mal e choramingando pelos canto e ele feliz, contente e resolvido. Peço desculpa para ele acada 5 minutos até ele me dizer "Mamãe chega! Já deu! Acabou esse negócio de desculpas!" outra vez me vi em suas palavras e sorri.

No dia seguinte eu perguntei o que ele iria dizer caso os amigos perguntassem por que ele não foi, sua resposta não poderia ser diferente: "Ué, que nós tentamos, mas não deu e nós vamos outro dia com a Isa (prima)." Sorri feliz por ele estar mais resolvido do que eu."

Com esse episódio aprendi algumas coisas:

1) Não há choro sem motivo!! Mesmo que não consigamos dizer ou que o outro não entenda nossa dor.
2) Flexibilidade e a separação dos problemas são a base para ter uma vida tranquila. Sem tomar o sofrimento alheio para si e estar OK com as adversidades da vida conseguimos ser feliz.
3) A maior punição está no ideal que queremos atingir ou ser.
4) Tentar já é um mérito.
5) O limite nos dá contorno, dando forma para os momentos que vivemos.

Sem dúvida esse dia doeu muito mais em mim do que nele e tudo que fiz foi para me sentir uma mãe melhor. Hoje com toda a certeza e consciência consigo perceber quando meus filhos estão vivendo algo parecido e procuro ser mais tolerante. 

E confesso que ainda sinto um pesar por ser uma mãe real e não uma super mãe como gostaria de ser...

                                                         
                                                                      Sou Mãe Real!! - imagem google
          

Bjs